Estava comentando agora há pouco no ótimo blog Exilio Involuntário sobre a relação dos americanos com o álcool. Aqui é estritamente respeitada a maioridade alcóolica, que chega aos 21 anos, idade em que a maioria dos brasileiros já se pós-graduou em pileques variados e está em pleno desenvolvimento de tese de PhD em alcoolismo consciente.
Aqui na Califórnia não se pode beber em público, não se pode levar garrafas de bebida aberta no carro (nem os passageiros), garrafas fechadas tem que ir no porta-malas, não existe o conceito de tomar uma na calçada, não se pode beber na praia. Com exceção da praia de Pacific Beach, em San Diego. Ali eu vi um dos espetáculos mais bizarros de minha experiência gringa. Centenas e centenas de college kids, frat people, party people e afins se amontoavam num pedaço largo de areia em que se pode tomar álcool. Uaaaau. Aqui pode beber. Resultado: pessoas usando Beer-Bongs (ver foto) na praia, passando vexame, entornando latinhas na sequência de latinhas, gritando besteira para os vizinhos, jogando a maldita bola de futebol americano em cima da galera, vomitando na areia num lindo dia ensolarado da Califórnia. Aaah. Então é por isso que é proibido beber na praia aqui. Por isso e pelo fato de que a família dos que morrem afogados embriagados costumam processar a cidade, o estado e a federação por deixar que seus filhos bebam perto do mar. Tá de brincadeira, né? Não tô não.
(Beer Bong = despejar cerveja no funil e tomar tudo de uma vez) – não seria mais fácil tomar uma caipirinha?
O lugar socialmente aceito para beber por aqui são os chamados Dive Bars, que são bares daqueles típicos que você vê em filmes ou nos Simpsons (foto abaixo), com mesa de bilhar e juke box, e, principalmente, sem janelas. Como se beber fosse algo tão feio que tem que ser feito dentro de ambientes fechados. Faz um pouco de sentido em partes mais frias do país, mas na Califórnia?? É muuuito raro você encontrar um bar que tenha mesas na calçada. Se tiver, tem que ter cercadinho em volta pra poder vender álcool. Eu, particularmente, procuro sempre bares ou restaurantes com pátio, assim dá pra beber ao ar livre. Mas, vou te falar, nada bate o churrasquinho regado a caipirinha e cerveja em cas a mesmo. Enquanto isso, na Vila Madalena, os bares estilo carioca e as mesinhas na calçada se multiplicam… (suspiro)
Agora, algumas questões para os legisladores americanos:
- Você não pode beber até os 21 mas pode dirigir aos 16 e ir ao Iraque matar aos 17?
- Se você começasse a beber mais cedo, aos poucos, e sem culpa, você seria ainda tão bobo e perigoso ao beber quando chegasse aos 21?
- Me explica de novo qual o mal de se beber na calçada?
Essa história toda me deu uma sede…




Cheguei por indicação d’A comentarista e dei boas risadas.
Um abraço!
Tatinho, definitivamente, essa é a pior de todas as coisas que você já contou sobre essa terrinha. Essa galera nasceu mesmo pra comer churrasco de marshmellow.
Outro dia eu li sobre um campeonato de memória aí pros seus lados. Tipo quem conseguia ver uma seqüência de cartas de baralho e citar as 200 cartas em seguida, depois de olhar pra elas por apenas dez segundos. Hein??? Só podia ser gringo, não tenho nenhuma dúvida. Pra que serve isso? Bom, pra duas coisas, com certeza: 1) pro cara provar pra família que nunca fumou um. Se ele tivesse feito isso uma única vez, mesmo que sem tragar, já não teria neurônios suficientes pra essa atividade mega importante pro planeta. 2) Pro resto do mundo ter certeza que seus conterrâneos são capazes de tudo. Campeonato de memória – ou de comilança, que eu vi outro dia (argh, nojento) – é quase pior que invadir o Iraque.
Ah, fofo, só uma coisa: seu site tá muito legal. Mesmo. Adorei e já vou incluir na minha listinha. Só uma coisa:quem tem Internet Explorer ainda não consegue acessar o RSS!!! Acredite em mim.