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Como diria o saudoso e genial Bezerra da Silva… político brasileiro só vai deixar de ser corrupto quando morcego doar sangue, ou saci cruzar as pernas…

Sábias palavras. Deus o tenha.

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Meio que sem inspiração, mas sempre indignado com a quantidade de pizza endings no Brasil, achei por bem compartir esta poesia de Elisa Lucinda, que escutei num disco da Ana Carolina…

SÓ DE SACANAGEM

Meu coração está aos pulos
Quantas vezes minha esperança será posta à prova
Tudo isso que está ai no ar, malas, cuecas, que voam entupidas de dinheiro
Do meu dinheiro, do nosso dinheiro
Que reservamos duramente
Para educar os meninos mais pobres que nós
Pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade
E eu não posso mais

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Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz
Mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros
Venha quebrar no nosso nariz

Meu coração tá no escuro
A luz é simples
Regada ao conselho simples de meu pai
Minha mãe, minha avó
E os justos que os precederam

Não roubarás!
Devolva o lápis do coleguinha
Esse apontador não é seu, minha filha

Pois bem, se mexeram comigo
Com a velha e fiel fé do meu povo sofrido
Então agora eu vou sacanear
Mais honesta ainda eu vou ficar
Só de sacanagem

Dirão, Deixa de ser boba,
desde Cabral que aqui todo mundo rouba
E eu vou dizer, Não importa, será esse o meu carnaval.
Vou confiar
Mais
E outra vez
Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos
Vamos pagar limpo à quem a gente deve
E receber limpo do nosso fregüês

Com o tempo, a gente consegue ser livre
Ético e o escambal
Dirão, É inútil, todo mundo aqui é corrupto
Desde o primeiro homem que veio de Portugal

E eu direi, Não admito! Minha esperança é imortal!
E eu repito, Ouviram? I-M-O-R-T-A-L
Sei que não dá pra mudar o começo,
Mas se a gente quiser,
Vai dar pra mudar o final.

(Elisa Lucinda)

Não costumo escrever sobre filmes, mas neste caso tenho o dever de fazer esta recomendação. Assim que possam, assistam “Sicko”, o novo filme do controverso, mas quase sempre certo e nunca politicamente correto, Michael Moore (Bowling for Columbine, Fahrenheit 9/11). Mais uma vez, Moore apresenta um monte de fatos e números sem explicitar a fonte, e usa opiniões bastante especifícas pra fazer andar a sua narrativa. Mas a verdade, como sempre, é que ele traz à luz vários pontos sujíssimos da sociedade americana que todos aqui (e ai) conhecem, mas dos quais ninguém reclama. Pelo menos não como ele. Clique aqui para uma crítica mais completa no NY Times.

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Ele reclama na forma de uma pergunta básica: Como um país estupidamente rico como os EUA não tem um sistema universal de saúde, enquanto países considerados como inimigos da democracia americana (leia-se Cuba), têm atendimento médico de primeiro nível para a TODA a população, basicamente a custo zero? Isso sem falar de outros vizinhos de primeiro mundo como Canadá, Inglaterra e França.

Como num país que já investiu cerca de US$ 750 bilhões de dólares em segurança nacional desde o 11 de Setembro (incluindo as guerras) pode deixar que os lobistas da Indústria Farmacêutica influenciem as leis de Saúde do Congresso Americano?

Não é brincadeira; aqui, se você for no médico com uma tosse, a primeira coisa que eles vão te recomendar é um antibiótico.

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E como pode ser que aqui, a prioridade das Seguradoras de Saúde (e consequentemente dos médicos em geral) seja economizar dinheiro e negar tratamento e exames ao maior número possível de pessoas? Claro, vivemos em um sistema extremamente capitalista, e espera-se menos ajuda do governo em alguns aspectos. Mas em Saúde? E não me levem a mal, tem muita gente que tem planos de saúde bons, mas a maioria dos planos requer pre-aprovação de tratamentos, o que dá às seguradoras o poder de decisão entre o bônus deles de final de ano ou ajudar a tratar o seu câncer. E neste país, a escolha pra eles é fácil.

Não sei exatamente como anda a situação de Saúde no Brasil, mas, se lembro bem, o modelo de Planos de Saúde é basicamente o mesmo que o daqui, com exceção que existe (ou existia) um capenga INPS e SUS. A gente fala tão mal dos EUA no Brasil, mas no momento de desenvolver uma estratégia de Saúde pra população, o governo, ao invés de se espelhar em Cuba ou França, se espelha em Richard Nixon.

 

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(Kickbacks = a famosa molhadinha de mão)

Espero que eu esteja errado e, desde que eu sai dai o Lula tenha mudado as condições de Atendimento Médico público. Se não, esta dose de Michael Moore serve para curar a nossa doença também.

Fiquei impressionado com a reação de algumas pessoas com as confusões, crimes, vandalismo e violência ocorridos na Praça da Sé no mesmo 5 de Maio de que falei no post anterior… Ouvi coisas como “A Virada Cultural foi um sucesso!”, “Parecia Europa!”, “Se não fosse por aqueles presidiários dos Racionais MCs, nada de mal teria acontecido…”.

Eu não estava em SP pra Virada. Posso estar errado, mas São Paulo não é Europa. Hahaha. Tá de brincadeira? Além disso, os Racionais não são ex-presidiários. Mesmo que fossem, não tem nada a ver. É lindo ter atividades culturais a noite inteira, ver a população se divertindo nas ruas livremente, ver diferentes camadas sociais se misturando nas calçadas… E é ai que está a questão. Não dá pra tapar o sol com a peneira. Não acho que o que aconteceu na Sé sejam fatos isolados. Acho que foi realmente um grito de uma população que está enfurecida com a desigualdade social crescente de SP. Se fosse trio elétrico, todo mundo estaria pulando e esquecendo dos problemas. Mas foram os Racionais MCs, provavelmente o maior expoente to Hip Hop Nacional, e que falam o que muita gente (que não vive na periferia) não quer ouvir. Não morava na periferia nem defendo nem por um segundo o que aconteceu na Sé, mas ter os Racionais no line-up não é o verdadeiro problema. Fala sério.

 

 

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(Acima, manos da periferia)

Abaixo, sábias palavras.

Burnin’ and Lootin’ (Robert Nesta)

This morning I woke up in a curfew;
O God, I was a prisoner, too – yeah!
Could not recognize the faces standing over me;
They were all dressed in uniforms of brutality. Eh!

How many rivers do we have to cross,
Before we can talk to the boss? Eh!
All that we got, it seems we have lost;
We must have really paid the cost.

(That’s why we gonna be)
Burnin’ and a-lootin’ tonight;
(Say we gonna burn and loot)
Burnin’ and a-lootin’ tonight;
(One more thing)
Burnin’ all pollution tonight;
(Oh, yeah, yeah)
Burnin’ all illusion tonight.

Oh, stop them!

Give me the food and let me grow;
Let the Roots Man take a blow.
All them drugs gonna make you slow now;
It’s not the music of the ghetto. Eh!

fome

Publicado: março 25, 2007 em Argentina, Brasil, Comportamento, EUA, Pessoal, Vida

Falem o que falem, mas o churrasco brasileiro e o argentino são complementares. Minha esposa é de Córdoba, Argentina, e além de estar virando gringo, eu ainda tenho que ouvir dos meus amigos que eu tô virando argentino. Haja paciência. Eu tô de ressaca agora, mas futuramente discorrerei sobre como montar uma seleção mista Brasil-Argentina na churrasqueira.

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(parrillada argentina)

Cansada dos políticos?

Chegou sabão em pó Prozac.

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engraçado?

Publicado: março 17, 2007 em Brasil, EUA, Política

Engraçado mesmo. O Bush, um dia antes de visitar o Brasil na semana passada pra pedir ajuda com o etanol, soltou um relatório sobre abusos de direitos humanos no Brasil. A reação oficial do governo Brasileiro foi de total rechaço às informações do documento.

Basicamente, a princípio, e por princípio, também discordo de relatório que não cita fontes, principalmente relatório patrocinado pela CIA, que de boazinha não tem nem o nome. Porém, alguns dos pontos desse relatório fazem sentido. Trabalho infantil, discriminação racial disfarçada, condições sub-humanas nas prisões. Faz sentido ou deve ser mentira? Óbviamente que quem tem Guantânamo, Abu-Graib e Walter Reed em seu currículo de administração de cadeias, não pode exatamente ser tomado como exemplo de direitos humanos. Mas não creio que isso lhes tire o direito de nos criticar.

Deveríamos aproveitar esse relatório e rediscutir alguns absurdos que a maioria dos brasileiros nem sabe que ainda existem no território Nacional. Ou mesmo abrir mais os olhos para os abusos da polícia militar, que ainda existe nem sei porquê. E, fala sério, a quantidade de crianças de rua em São Paulo só não é alarmante para os paulistanos, que estão acostumados e adaptados em seus carros de vidro fumê.

Não dá pra ser orgulhoso e não dar uma lida no relatório só porque vem dos americanos.

Mas que é engraçado que eles divulguem o documento um dia antes de uma viagem para o Brasil, isso é. É pura diplomacia hard-core.

Pense numa política de Big Stick.

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(foto acima – como diria F.D. Roosevelt: “Speak softly and carry a big stick. You will go far.”)

Abaixo, uma matéria sobre o assunto tirada do Herald Tribune Online, de 7 de Março:

SAO PAULO, Brazil: Brazil strongly rejected the U.S. government’s annual survey of human rights practices on Wednesday, saying it does not accept reports drawn up unilaterally.

The U.S. government’s report, released Tuesday — just days before President George W. Bush’s tour of five Latin American nations including Brazil — criticized human rights abuses in South America’s largest nation including poor prison conditions, beatings and torture of inmates, child labor in the informal economy, and discrimination against Indians and minorities. The report also said most human rights violators are never held accountable.

In a statement posed on its Web site, the Foreign Ministry said, “The Brazilian government does not recognize the legitimacy of reports elaborated unilaterally by countries that use domestic criteria that many times are politically motivated.”

The statement said Brazil has opened its doors to human rights representatives from the United Nations “and encourages other nations, including the United States, to adopt the same posture.”

The State Department’s report also cited other rights abuses including sexual abuse and other violence against children, as well as a sharp increase in the number of civilians killed by Sao Paulo state police last year as a response to gang violence and prison riots in South America’s biggest city.

Attacks orchestrated by the First Capital Command gang last year targeted police, government buildings, banks and public buses, killing nearly 200 people. Among the dead were police officers, prison guards, crime suspects, inmates and bystanders.

Tulio Kahn, head of the analysis and planning for the Sao Paulo state police, linked a rise in killings to the First Capital Command attacks and acknowledged that at least some were committed by revenge-seeking police officers.

Para ver o relatório completo no site do Departamento de Defesa dos EUA:

http://www.state.gov/g/drl/rls/hrrpt/2006/78882.htm