Arquivo da categoria ‘Direitos Individuais’

America… just a nation of two hundred million used car salesmen with all the money we need to buy guns and no qualms about killing anybody else in the world who tries to make us uncomfortable.

Hunter S. Thompson

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And the law lost.

Acabei de chegar da Suprema Corte ou Tribunal Superior do Estado da California, onde eu estava lutando pela anulacao de uma multa de transito, segundo a qual eu havia virado a direita no sinal vermelho sem parar totalmente o carro antes. Em tempo: aqui, virar a direita no semaforo vermelho eh permitido, mas voce deve parar totalmente o veiculo antes da faixa de pedestres, olhar pra ver se tem alguem vindo e so depois, dobrar a direita. E nao, virar a esquerda nao pode, malandragem!

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Esse selo fica exposto bem grande, atras do juiz

So para dar uma ideia do meu problema, o valor da infracao era de US$ 405, mais o aumento de quase 50% no valor do seguro do meu carro, que passaria a US$ 1000 a cada 6 meses.

Bom, resumindo, fui ate a Corte, presidida por um juiz que tinha a cara do Andy Warhol e a rigidez da minha professora de quimica do colegio, me apresentei, mas o pontcherello do policial, nao. Ganhei na hora. EEeeeeee! O CHIPS nao foi!!

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Falou entao, Ponch.

Um alivio. Eu passei varios dias preparando minha defesa, com diagramas, fotos do local do incidente, e todas as baboseiras que minha criatividade conseguiu criar para tentar mostrar que o policial estava errado. Basicamente, eu seria meu proprio advogado in the Court of Law. Um pouco assustador. Mas, minha uruca pro cara nao aparecer foi maior que todos os meus esforcos legais, e deu certo. Com macumba boa, nem o tio Sam aguenta.

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Não costumo escrever sobre filmes, mas neste caso tenho o dever de fazer esta recomendação. Assim que possam, assistam “Sicko”, o novo filme do controverso, mas quase sempre certo e nunca politicamente correto, Michael Moore (Bowling for Columbine, Fahrenheit 9/11). Mais uma vez, Moore apresenta um monte de fatos e números sem explicitar a fonte, e usa opiniões bastante especifícas pra fazer andar a sua narrativa. Mas a verdade, como sempre, é que ele traz à luz vários pontos sujíssimos da sociedade americana que todos aqui (e ai) conhecem, mas dos quais ninguém reclama. Pelo menos não como ele. Clique aqui para uma crítica mais completa no NY Times.

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Ele reclama na forma de uma pergunta básica: Como um país estupidamente rico como os EUA não tem um sistema universal de saúde, enquanto países considerados como inimigos da democracia americana (leia-se Cuba), têm atendimento médico de primeiro nível para a TODA a população, basicamente a custo zero? Isso sem falar de outros vizinhos de primeiro mundo como Canadá, Inglaterra e França.

Como num país que já investiu cerca de US$ 750 bilhões de dólares em segurança nacional desde o 11 de Setembro (incluindo as guerras) pode deixar que os lobistas da Indústria Farmacêutica influenciem as leis de Saúde do Congresso Americano?

Não é brincadeira; aqui, se você for no médico com uma tosse, a primeira coisa que eles vão te recomendar é um antibiótico.

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E como pode ser que aqui, a prioridade das Seguradoras de Saúde (e consequentemente dos médicos em geral) seja economizar dinheiro e negar tratamento e exames ao maior número possível de pessoas? Claro, vivemos em um sistema extremamente capitalista, e espera-se menos ajuda do governo em alguns aspectos. Mas em Saúde? E não me levem a mal, tem muita gente que tem planos de saúde bons, mas a maioria dos planos requer pre-aprovação de tratamentos, o que dá às seguradoras o poder de decisão entre o bônus deles de final de ano ou ajudar a tratar o seu câncer. E neste país, a escolha pra eles é fácil.

Não sei exatamente como anda a situação de Saúde no Brasil, mas, se lembro bem, o modelo de Planos de Saúde é basicamente o mesmo que o daqui, com exceção que existe (ou existia) um capenga INPS e SUS. A gente fala tão mal dos EUA no Brasil, mas no momento de desenvolver uma estratégia de Saúde pra população, o governo, ao invés de se espelhar em Cuba ou França, se espelha em Richard Nixon.

 

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(Kickbacks = a famosa molhadinha de mão)

Espero que eu esteja errado e, desde que eu sai dai o Lula tenha mudado as condições de Atendimento Médico público. Se não, esta dose de Michael Moore serve para curar a nossa doença também.

Fiquei impressionado com a reação de algumas pessoas com as confusões, crimes, vandalismo e violência ocorridos na Praça da Sé no mesmo 5 de Maio de que falei no post anterior… Ouvi coisas como “A Virada Cultural foi um sucesso!”, “Parecia Europa!”, “Se não fosse por aqueles presidiários dos Racionais MCs, nada de mal teria acontecido…”.

Eu não estava em SP pra Virada. Posso estar errado, mas São Paulo não é Europa. Hahaha. Tá de brincadeira? Além disso, os Racionais não são ex-presidiários. Mesmo que fossem, não tem nada a ver. É lindo ter atividades culturais a noite inteira, ver a população se divertindo nas ruas livremente, ver diferentes camadas sociais se misturando nas calçadas… E é ai que está a questão. Não dá pra tapar o sol com a peneira. Não acho que o que aconteceu na Sé sejam fatos isolados. Acho que foi realmente um grito de uma população que está enfurecida com a desigualdade social crescente de SP. Se fosse trio elétrico, todo mundo estaria pulando e esquecendo dos problemas. Mas foram os Racionais MCs, provavelmente o maior expoente to Hip Hop Nacional, e que falam o que muita gente (que não vive na periferia) não quer ouvir. Não morava na periferia nem defendo nem por um segundo o que aconteceu na Sé, mas ter os Racionais no line-up não é o verdadeiro problema. Fala sério.

 

 

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(Acima, manos da periferia)

Abaixo, sábias palavras.

Burnin’ and Lootin’ (Robert Nesta)

This morning I woke up in a curfew;
O God, I was a prisoner, too – yeah!
Could not recognize the faces standing over me;
They were all dressed in uniforms of brutality. Eh!

How many rivers do we have to cross,
Before we can talk to the boss? Eh!
All that we got, it seems we have lost;
We must have really paid the cost.

(That’s why we gonna be)
Burnin’ and a-lootin’ tonight;
(Say we gonna burn and loot)
Burnin’ and a-lootin’ tonight;
(One more thing)
Burnin’ all pollution tonight;
(Oh, yeah, yeah)
Burnin’ all illusion tonight.

Oh, stop them!

Give me the food and let me grow;
Let the Roots Man take a blow.
All them drugs gonna make you slow now;
It’s not the music of the ghetto. Eh!

Se você não gostava do governo americano mas pensava que ele não podia te afetar diretamente porque você estava fora dos EUA, pense again. O Laboratório de Pesquisas da Força Aérea norteamericana iniciou silenciosamente um programa de US$ 40 milhões de dólares para não apenas monitorar, como para fisicamente (?) atacar websites de conteúdo considerado terrorista. A maneira em que seriam feitos os ataques não foi divulgada, pra variar, mas, depois de ver em ação Jack Bauer do seriado 24 Horas, acho que ninguém quer descobrir. Mais um passo à extrema direita de um governo que está negociando a renovação do Patriot Act (que aumenta o poder de invasão de privacidade da Casa Branca e está em ação desde 2001/02). A justificativa é que os websites e podcasts de orígem “terrorista” estão se tornando “cada vez mais profissionais” e se tornaram um risco para a Segurança Nacional, no mínimo no que se refere a bancos de dados governamentais. Ah, e por terrorista, Bush entende o que quiser. Inclusive você.

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(jack bauer wants YOU)

 

Leia a matéria que deu orígem a este post no site do USA Today de 28 de Março de 2007